domingo, 26 de dezembro de 2010

NOVAS DESCOBERTAS EM ENDOMETRIOSE

Está aí uma excelente notícia para fechar nosso blog no ano de 2010!

Já postamos esta novidade na nossa comunidade do Orkut, mas achei interessante também postar aqui no blog, pois estamos sempre de olho em tudo que diz respeito aos avanços na pesquisa sobre Endometriose e procuramos sempre divulgar!

Neste mês, recebemos a notícia de que um grupo de médicos - Andrew Morris, Cecilia Lindgren e Zondervan Krina - divulgaram o resultado parcial de uma pesquisa que visava descobrir as variantes genéticas que poderiam estar associadas ao aparecimento da Endometriose. Estes resultados foram publicados numa importante revista cientifica, chamada “Nature Genetics”.

Ao que parece, descobriram que dois cromossomos (1 e 7) podem estar intimamente relacionados ao desenvolvimento da Endometriose, o que daria características genéticas à doença.

Certamente, esta foi uma descoberta importante, mas carece de mais pesquisas até que se chegue à uma conclusão que possa nos beneficiar em termos de tratamento e até de prevenção da doença!

Vamos aguardar e torcer para que isto aconteça logo!

Confiram abaixo a reportagem retirada do site http://www.alert-online.com:

"DESCOBERTAS VARIANTES GENÉTICAS ASSOCIADAS AO RISCO DE ENDOMETRIOSE"


Estudo publicado na “Nature Genetics”


Foram identificadas duas variantes genéticas associadas ao aumento do risco de desenvolvimento de endometriose, revela um estudo publicado no “Nature Genetics”.


A endometriose é uma doença ginecológica comum que afecta cerca de 6 a10 % das mulheres em idade reprodutiva, sendo caracterizada pelo crescimento de células do tecido endometrial, que normalmente só se encontram no revestimento uterino, fora do útero. Este crescimento de placas de tecido endometrial pode causar inflamação e aderências e resultar em dor pélvica, bem como em infertilidade. Contudo, a razão pela qual surgem as placas e como crescem fora do útero ainda não é conhecida.

Em alguns casos, a endometriose só causa sintomas leves que não são diagnosticados, mas em casos mais graves, pode ter um efeito limitativo sobre a vida da mulher. Os tratamentos actuais resumem-se apenas a cirurgia e a medicação hormonal esta última comporta inúmeros efeitos secundários.


Neste estudo, os investigadores do International Endogene Consortium compararam os genomas de mais de 5.500 mulheres oriundas do Reino Unido, Austrália e EUA que foram cirurgicamente diagnosticadas com endometriose e de mais de 10 mil mulheres saudáveis.

Os investigadores, liderados por Krina Zondervan da University of Oxford, EUA, identificaram assim duas novas variantes genéticas que aumentavam o risco de desenvolvimento da doença, particularmente nos estádios moderados a severos.


A primeira variante foi encontrada no cromossoma 7 que se pensa estar envolvido na regulação de genes associados ao desenvolvimento do útero e do seu revestimento. A segunda variante foi identificada no cromossoma 1, próxima do gene Wnt4. Este gene é importante para o metabolismo hormonal e o desenvolvimento do sistema reprodutivo feminino, especialmente os ovários, fazendo com que seja um candidato associado à endometriose.


Em comunicado enviado à imprensa, Krina Zondervan, revela que este estudo mostra pela primeira vez que as variações no ADN tornam as mulheres mais susceptíveis ao desenvolvimento da endometriose. “Agora necessitamos de perceber qual o efeito dessas variações nas células e nas moléculas do organismo”, explicou a especialista, acrescentando ainda estar confiante que os resultados do estudo ajudem no desenvolvimento de métodos de diagnóstico menos invasivos e de tratamentos mais eficazes.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CONHECENDO O ENDOMETRIOMA DE OVÁRIO OU "CISTO DE CHOCOLATE"



Finalmente vamos falar sobre um cisto muito comum entre as endometrióticas e talvez o "mais temido" por todas nós: o Endometrioma de Ovário.

O endometrioma é um tipo de cisto que se forma no ovário de quem tem endometriose. E recebe um apelido não muito feliz: Cisto de Chocolate. Digo que não é feliz, porque o endometrioma está muito longe de ser tão bom e saboroso como um chocolate! Mas, o apelido tem motivo!

Para compreendermos melhor, vamos falar um pouco sobre os diferentes tipos de "Cistos de Ovário":


- O que é um Cisto de Ovário?

Um cisto no ovário é qualquer acúmulo de líquidos envolvidos por uma parede fina dentro de um ovário. Qualquer folículo ovariano que seja maior ou igual a 2 centímetros é considerado um cisto. Ele pode ser pequeno como uma ervilha ou tão grande quanto uma laranja.


Geralmente encontram-se três tipos de cistos ovarianos (estes são os mais comuns, porém existem outros tipos também):


*Folicular ou Cistos Ovarianos Funcionais;
*Cistos de Corpo Lúteo;
*Endometrioma ou "Cistos de Chocolate"


- O que é um Cisto Folicular ou Funcional?

 Este tipo de cisto é comum e benigno e surge em resposta a um ciclo menstrual normal. Cada vez que um óvulo é produzido pelo ovário se forma um pequeno cisto. Este cisto se rompe para liberar o óvulo durante o processo de ovulação. Algumas vezes pode não se romper e, então, começa a crescer dentro do ovário. Eles não crescem muito e geralmente acabam encolhendo após o período da ovulação, não sendo necessária uma cirurgia para retirá-los. Algumas mulheres podem sentir dores pélvicas quando este cisto se rompe (na ovulação) podendo durar de 24 a 48 horas. A dor é devida a uma pequena quantidade de sangramento que sai no momento do rompimento e é irritante para a cavidade abdominal. Se o sangramento persiste ou é excessivo, indica-se a cirurgia, do contrário a conduta é aguardar de 3 a 6 semanas até o desaparecimento do cisto.


- O que é um Cisto de Corpo Lúteo?

São muito menos comuns do que os cistos foliculares. Os cistos de corpo lúteo se desenvolvem após a liberação do óvulo pelo ovário. Quando a ruptura acontece, o folículo que permanece no ovário transforma-se em uma pequena glândula temporária que produz hormônios importantes para o início da gravidez. Esta glândula é conhecida como Corpo Amarelo ou Corpo Lúteo. Se a gravidez não ocorre, geralmente o corpo lúteo desaparece. Mas, se ele se encher de fluidos e atingir um tamanho maior que 3 cm, passa a ser chamado de "Cisto de Corpo Lúteo". Ele pode causar dores no baixo ventre e ao toque vaginal, e quando se rompe pode provocar um quadro de abdomem agudo, frequentemente confundido com apendicite aguda. A ruptura deste cisto pode acontecer durante o ato sexual ou após o período menstrual, quando se encontra maior. Em alguns casos é necessária a cirurgia para removê-los.


ENDOMETRIOMA OU "CISTOS DE CHOCOLATE"

- O que são?

O Endometrioma de ovário é consequência da Endometriose Ovariana. Ele se forma a partir de pequenas células do endométrio que se desprendem do útero e se fixam no ovário, formando pequenos cistos na parede externa do ovário. Estes cistos respondem ao estímulo hormonal durante o ciclo menstrual e crescem produzindo vários pequenos cistos que podem ocupar e até mesmo substituir o tecido ovariano normal. Estes endometriomas são preenchidos por um líquido semelhante a chocolate derretido, razão pela qual são conhecidos como "Cistos de Chocolate". Quando este cisto se rompe, o seu conteúdo se espalha pela pelve e na superfície do útero, bexiga e intestino podendo causar aderências entre estes órgãos e no espaço entre eles, além de forte dor pélvica.

- Qual a relação entre os endometriomas e a infertilidade?

Os endometriomas parecem não afetar a qualidade do óvulo, mas podem interferir com o desenvolvimento folicular e a ovulação. E isto ocorre principalmente por causa das aderências que os endometriomas causam, "grudando" os órgãos entre si e dificultando a captura do óvulo pelas trompas.

- Quais são os sintomas?

Se estes cistos permanecem menor que 3 cm podem não apresentar nenhum sintoma. Entretanto, os cistos maiores causam sintomas comuns, tais como dores pélvicas que podem ser unilateral ou bilateral. Assim como na endometriose, estas dores podem variar ao longo do ciclo menstrual, apresentando-se mais fortes em períodos como a ovulação ou durante a menstruação. Além disto, se também estiver presente aderências e implantes da endometriose em outras partes, a dor pode ser debilitante.

- Como são diagnosticados?

Assim como qualquer doença, a história clínica da paciente é muito importante para o diagnóstico de endometrioma de ovário. Se for uma paciente com uma história conhecida de endometriose e apresentar um cisto de ovário numa ultrassonografia pélvica, é quase certo que se trata de um endometrioma. Alguns exames podem ser feitos, tais como:

*Exame Físico -  o médico pode apalpar a região e perceber uma "massa" ovariana. Porem, isto só é possível, quando o cisto já está grande.

*Exame de Sangue - A dosagem de um marcador chamado CA 125 contribui para o diagnóstico de Endometrioma Ovariano, assim como de Endometriose. Porém, uma vez que este exame também é usado para detectar o câncer de ovário, é preciso ter cuidado quanto à forma como o teste é interpretado. Geralmente recomenda-se que seja feito nos três primeiros dias da menstruação.

*Exame de Imagem - O ultrassom transvaginal e abdominal são os testes mais comuns utilizados para o diagnóstico de endometriomas. O transvaginal tem a vantagem de fornecer informações adicionais sobre a composição interna da massa ovariana. A precisão no diagnóstico de endometriomas depende muito da experiência do examinador. Geralmente estes cistos se apresentam com uma consistência sólida. Isto é devido ao material parecido com "chocolate derretido" dentro de sua estrutura.

- Como são tratados?

Em primeiro lugar, o mais importante é confirmar o diagnóstico de endometrioma e descartar a possibilidade de câncer ovariano. Geralmente, o risco de malignização de um endometrioma é baixo. As opções de tratamento incluem:

*Conduta expectante;

*Terapia medicamentosa - geralmente recomenda-se os análogos do GnRH, como Zoladex.

*Cirurgia/Videolaparoscopia - onde o médico removerá todo o conteúdo de chocolate do cisto e fará a excisão dos endometriomas. Depois reconstruirá o ovário, preservando a fertilidade.



IMPORTANTE:

Se você sente dores abaixo do umbigo (unilateral ou bilateral) que pioram com a ovulação e com a menstruação, está na hora de procurar um médico especialista em endometriose para saber se possui um cisto de ovário, do tipo "endometrioma".

Até a próxima!


Luciana Diamante

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ENDOMETRIOSE VESICAL - SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

Olá, meninas!

Na postagem anterior falamos sobre a Endometriose Intestinal, seus sintomas e tratamento. Nesta postagem vamos falar um pouco sobre a endometriose que atinge o trato urinário, normalmente, a bexiga. (Li vários textos sobre o assunto e tentei unir as informações na postagem abaixo).

Nem todos os casos de Endometriose Vesical são relatados porque às vezes as mulheres não associam os sintomas que apresentam com a condição ou desconhecem que são portadoras de endometriose.

Geralmente o diagnóstico é feito após 7 ou 8 anos do início dos sintomas, pois muitas acreditam que as dores que estão sentindo são próprias da Tensão Pré-Menstrual. A maior parte das mulheres só começam a considerar a gravidade da situação quando apresentam outros sintomas da doença.

Sendo assim, a endometriose envolvendo o trato urinário é rara e, consequentemente, leva a uma morbidade significante pela demora do diagnóstico até à instituição de tratamento adequado. Além disto, é importante lembrar que quando não tratada, a endometriose vesical pode levar a problemas urinários mais graves no futuro, como obstrução ou incontinência urinária.

Por este motivo torna-se muito importante apresentarmos os sintomas e as indicações deste tipo de endometriose para que possamos relatar ao médico e buscar o tratamento o mais rápido possível.

Sintomas da Endometriose Vesical

  • Dor, leve ou aguda, na região pélvica, que pioram no período menstrual;
  • Dificuldade em urinar e até presença de pus ou sangue na urina, especialmente durante a menstruação;
  • Relações sexuais dolorosas (dispareunia);
  • Micções frequentes;
  • Dor nos rins ou na região da bexiga;
  • Fadiga extrema (e em alguns casos, presença de febre).

Endometriose Vesical versus Infecção Urinária e Cistite Intersticial

É muito difícil diagnosticar a Endometriose Vesical, pois alguns de seus sintomas podem ser facilmente confundidos com outros problemas urinários, como Infecção Urinária e Cistite Intersticial.

Por exemplo, se os sintomas são apenas dor ou ardor ao urinar pode ser diagnosticado como uma Infecção Urinária. Para não haver dúvidas, é sempre importante que o médico solicite um exame de urina com antibiograma para detectar a presença de bactérias, o que indicaria a Infecção Urinária. Neste caso, a prescrição de antibióticos específicos solucionaria o problema.

Já a Cistite Intersticial é uma doença com sintomas muito parecidos com a Endometriose Vesical. De acordo com o Dr. Shelley Ross (médico americano), mais de 70% das mulheres que sofrem de Endometriose na bexiga são erroneamente diagnosticadas com Cistite Intersticial.

Mulheres que sofrem de Cistite Intersticial têm inflamação na região entre a parte interna e o músculo da bexiga. É por isto que as portadoras desta doença também se queixam de dor na região pélvica, dificuldade em urinar, sangue ou pus na urina, dor na relação sexual e micção frequente.

Segundo o Dr. Shelley, para saber se a mulher sofre de Endometriose Vesical ou Cistite Intersticial é necessário submeter-se a um exame chamado Cistoscopia.

A Cistoscopia é um exame endoscópio das vias urinárias baixas. Também chamado de Uretrocistoscopia, possibilita a visibilização ótica dos segmentos uretrais e da bexiga. Isto permite ao médico ver a bexiga e obter amostras de células para biópsia.

Além disso, a Videolaparoscopia também auxilia neste diagnóstico, observando os órgãos pélvicos, inclusive a bexiga e ureteres a procura de implantes, nódulos ou aderências provococadas pela endometriose.

Se você estiver sentindo quaisquer dos sintomas aqui apresentados, procure ajuda médica o mais rápido possível!

*Veja abaixo um vídeo educativo retirado do site do Youtube mostrando como é feito o exame de Cistoscopia. O vídeo está em inglês, mas é possível entender como é feito o procedimento:



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ENDOMETRIOSE INTESTINAL E SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL

Como bem sabemos, a endometriose pode acometer vários órgãos não ginecológicos, como por exemplo o intestino.


A Endometriose Intestinal geralmente é de difícil diagnóstico e, muitas vezes confundida com outra doença conhecida pela sigla de "SII" - Síndrome do Intestino Irritável.

Procurando compreender a relação e diferença entre ambas as doenças, encontrei um texto escrito por um médico americano, Dr. Michael D. Birnbaum, que esclarece bem este assunto. Vale a pena conferir:


"Quase todas as mulheres que vejo com Endometriose, em um momento ou outro, dizem ter a "síndrome de intestino irritável" ou um "cólon espástico" ou uma dúzia de outros termos freqüentemente usados para descrever os sintomas gastrointestinais para as quais não houve evidente diagnóstico.

As mulheres com endometriose têm frequentemente sintomas gastrointestinais e, até relativamente pouco tempo, estes sintomas foram atribuídos a uma SII (síndrome do intestino irritável), um "cólon espástico", ou para aqueles que como nós, conhece a endometriose, a real participação intestinal da doença em si.

Ao longo dos últimos anos, tornou-se cada vez mais evidente o envolvimento intestinal em muitas mulheres com endometriose. Em outras palavras, existem reais implantes de Endometriose sobre ou na parede intestinal. A literatura relata uma incidência de envolvimento intestinal variando de 3 a 34%, sendo a média de cerca de 12%. Com base em todos os números, um relatório no New England Journal of Medicine estima que 5% de todas as mulheres têm Endometriose intestinal.

A Endometriose Pélvica é geralmente (mas não sempre) limitada a pré-menopausa - aquelas mulheres com funcionamento dos ovários. A Endometriose Intestinal é diferente, pois não é raro que apareça em mulheres pós-menopáusicas.

De fato, quando uma mulher pós-menopáusica desenvolve Endometriose, quase sempre irá apresentar um envolvimento intestinal. Acreditavam, inicialmente, que essas mulheres tinham câncer de cólon ou de reto, pois 70% da Endometriose Intestinal envolve o cólon sigmóide ou reto.

Também pode aparecer em outras partes do intestino (em ordem decrescente de freqüência) como: apêndice, ceco (a primeira porção do intestino grosso), íleo (a última porção do intestino delgado), e, por último, o cólon transverso.

As mulheres com Endometriose intestinal muitas vezes apresentam sintomas, mas, na maioria dos casos, o diagnóstico correto não é feito. No intuito de diagnosticar a Endometriose intestinal, é necessário fazer as perguntas certas. Quando as boas questões são colocadas, o diagnóstico é fácil. O diagnóstico geralmente é feito pela história (da paciente), porque raios-X do intestino não mostram a doença e nem outros exames, como a colonoscopia. A Laparoscopia pode ou não demonstrar implantes na parede intestinal, mas o médico tem que saber onde procurar por eles. Os implantes da endometriose na parede do intestino não podem ser detectáveis exceto no momento da cirurgia abdominal aberta.

Diagnosticar a Endometriose intestinal é relativamente fácil. Uma mulher com Endometriose intestinal vai me dizer que ela tem significativos sintomas gastrointestinais que variam de acordo com seu ciclo menstrual. Os sintomas podem estar presentes apenas no momento do período menstrual ou podem estar presentes todos os meses e piorar durante a menstruação.

Os sintomas mais comuns incluem: perda de apetite, náuseas (vômitos, mas é raro), diarréia, aumento do gás, inchaço significativo, dor abdominal, dor nas evacuações, dor retal e nítida punhalada. Muitas mulheres também se queixam de obstipação, parece-me que variam de acordo com o ciclo menstrual. A anemia ferropriva pode também ser um indício da presença de Endometriose intestinal. A menstruação associada ao sangramento retal é diagnóstico de Endometriose intestinal.

Em muitos casos, é óbvio que a mulher tem Endometriose intestinal. Quando ela tem menstruação associada ao sangramento retal ou quando apresenta implantes visíveis de Endometriose no intestino (tanto para o intestino grosso ou intestino delgado) no momento da laparoscopia. No entanto, há um grupo considerável de mulheres que têm todos estes sintomas, mas que não têm sangramento retal e cujas superfícies do intestino parecem normais no momento da laparoscopia.

Estudos recentes têm mostrado que agora, ao invés de atribuir os sintomas gastrintestinais ocultos à Endometriose, há de fato uma anormalidade intestinal associada que é visto em mulheres com endometriose - anormalidades que não são encontradas em mulheres sem a doença.

Pesquisadores da Universidade Baylor, em Houston reuniram um grupo de mulheres com diagnóstico de Endometriose para estudar sua função intestinal. Eles notaram que as mulheres com endometriose freqüentemente queixam-se de dor abdominal crônica (não necessariamente limitada à pélvis), náuseas, vômitos, saciedade precoce, inchaço, distensão e alteração de hábitos intestinais. O estudo utilizou alguns testes bastante sofisticados, mas o que ele mostrou é que as mulheres com endometriose têm alteração significativa na ação muscular da parede intestinal. Este tipo de anomalia, muitas vezes com o aumento da freqüência de contrações dos músculos da parede intestinal, nunca foram observados em mulheres normais.

Curiosamente, eles também mostraram que as mulheres com endometriose tiveram hipoglicemia reativa e tolerância à glicose durante um teste. A taxa de açúcar no sangue caiu para um nível anormalmente baixo, embora com níveis normais de insulina. Isto poderia indicar que as mulheres com endometriose podem ser demasiadamente sensíveis às ações da insulina de tal forma que acabam com baixos níveis de açúcar no sangue para uma determinada quantidade de insulina. Um mecanismo que tem sido proposto é que os nervos (músculos) que ajudam a regular o funcionamento dos intestinos acabam reagindo exageradamente às quantidades de insulina presente.

Como isto acontece, ainda é incerto. No entanto, indicam claramente que as mulheres com endometriose têm sintomas intestinais que não parecem estar relacionados com a real participação da Endometriose intestinal, mas associado a uma anormalidade intrínseca na parede intestinal. Isto imediatamente abre a porta para a noção de que as mulheres que desenvolvem Endometriose tem subjacente anormalidades endócrinas e metabólicas que diferem significativamente das mulheres que não têm Endometriose levando à conclusão de que a endometriose é uma doença muito mais complexa do que simplesmente os implantes de endométrio que surgem em locais aonde não pertencem.

Muitos dos sintomas enumerados são iguais aos da Síndrome do Intestino Irritável, por isto é fácil perceber a razão pelo qual este rótulo é muitas vezes colocado nestas mulheres. Lembre-se que a SII é considerada uma desordem psicossomática com um componente orgânico.

No entanto, quando uma mulher me diz que que ela tem sintomas que variam de acordo com seu ciclo menstrual, é quase certo ser Endometriose Intestinal."

Fica aqui nosso alerta para todas as mulheres que estejam apresentando sintomas intestinais, especialmente durante a menstruação. Procurem um especialista em endometriose para ter certeza de que não se trata de uma Endometriose Intestinal.

Confiram abaixo imagens de uma cirurgia para retirada de aderências intestinais:





Até a próxima!

Luciana Diamante

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CUIDADOS QUE DEVEMOS TOMAR ANTES DE REALIZAR A VIDEOLAPAROSCOPIA

Olá, meninas!



Escolhi hoje falar de um tema importante: os cuidados que devemos tomar antes de realizar a cirurgia para tratamento da endometriose.

Sabemos que a endometriose é uma doença que pode comprometer o bom funcionamento dos órgãos da nossa pelve, como por exemplo os ovários, útero, trompas e até intestino, bexiga e outros. Ela causa inflamações e aderências que por sua vez nos faz sentir muitas dores, mesmo fora do período menstrual.

Quando as dores são insuportáveis e os exames mostram que a doença está avançada, a indicação é, na maioria dos casos, a realização de uma cirurgia para verificação e tratamento dos focos da doença.

Atualmente, esta cirurgia é feita através da Videolaparoscopia e mais recentemente através da Cirurgia Robótica. De um jeito ou de outro, é preciso tomarmos alguns cuidados antes de nos submetermos a tal procedimento. Desta forma, poderemos planejar melhor nosso tratamento e evitar que tenhamos de nos submeter a inúmeros procedimentos cirúrgicos descenessários.

Então, a seguir listamos algumas "Dicas Básicas" a serem observadas antes do tratamento cirúrgico para endometriose:

1) Não escolha um médico ao acaso. Converse com amigas ou parentes que tenham feito alguma cirurgia (de preferência para endometriose) com este médico. Pergunte como foi o atendimento pré e pós-operatório e peça para ver o resultado.

2) O próximo passo é conferir se o médico recomendado tem especialização em Videolaparoscopia e está ligado à Sociedade Brasileira de Videolaparoscopia e/ou Cirurgia Robótica, ou se tem habilitação para realizar esta cirurgia.

3) É preciso verificar também se o seu médico é especialista em endometriose, inclusive se está preparado para tratar os focos de endometriose que porventura estejam em outros órgãos como intestino e/ou bexiga. É importante certificar-se de que este médico tem uma equipe cirúrgica apta para lidar com a doença que acomete os órgãos não ginecológicos.

4) Informe-se sobre a participação do médico em congressos e palestras, apresentação de trabalhos, publicações e o número de cirurgias realizadas.

5) Marque uma consulta com pelo menos dois médicos da sua lista. Assim você poderá comparar suas opiniões, condutas e honorários. A conversa pessoal com o cirurgião também pode mostrar se ele transmite confiança. Aproveite para deixar claro seus objetivos e esclarecer todas as suas dúvidas.

6) Certifique-se de que o cirurgião é credenciado nos bons hospitais da cidade, mesmo que tenha a própria clínica e centro cirúrgico.

7) Lembre-se de que qualquer procedimento cirúrgico deve ser realizado em Hospital reconhecido, equipado com UTI e toda a aparelhagem necessária para quaisquer eventualidades. (Esse negócio de fazer cirurgia em clínica é a maior furada);

8) O médico tem o dever de lhe informar e tirar todas as suas dúvidas a respeito da cirurgia, além disso, ele deve:



- perguntar sobre suas expectativas, discuti-las com você e considerar as suas reações quanto às recomendações dadas;

- responder todas as suas dúvidas numa linguagem absolutamente compreensível;

- dar informações sobre o procedimento: o nível de complexidade, o tipo de anestesia, a internação, o repouso, as restrições na vida cotidiana, os cuidados em longo prazo;

- deixar claro os riscos envolvidos com a cirurgia e possíveis intercorrências e complicações. OBS: É importante que a paciente esteja ciente de tudo que será realizado e ter esta conversa documentada. (Isto evita que você saia da cirurgia sem o útero, ovários, trompas, mesmo sem saber que isto era possível acontecer);

- receber com naturalidade perguntas sobre sua formação, qualificações profissionais, experiência, honorários e formas de pagamento;

- deixar a decisão final para você;

- pedir todos os exames pré-operatórios, como o sangüíneo, o clínico, o cardiológico e até o raio X do tórax;

9) Se puder, procure conhecer previamente todos os médicos (e as suas especialidades) que estarão presentes durante a cirurgia, mas principalmente tente agendar uma consulta com o anestesista. (O anestesista é o médico que garante sua vida durante todo o procedimento da cirurgia. Ele tem que estar presente durante todo o tempo da cirurgia, porque é função dele monitorar os sinais vitais da paciente durante todo o tempo, e depois acompanhar o retorno da anestesia. Geralmente, os pacientes são encaminhados para unidades de UTI para recuperarem-se da anestesia, aonde estarão sendo 24 horas observados por médicos e enfermeiros);

10) Se possível, procure conhecer o hospital e as acomodações previamente.

11) Não se esqueça de solicitar uma cópia do DVD da cirurgia, bem como o laudo e também o resultado do exame anatomopatológico das lesões que foram retiradas. Todo paciente tem direito a esta documentação! Exija!


Espero que estas Dicas possam ajudá-las a planejar melhor seu tratamento cirúrgico!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

MAIS UM ENCONTRO DAS ENDOAMIGAS!

É sempre muita alegria quando as "Endoamigas" se encontram! Parece que nos conhecemos a tempos e a troca de experiências é muito legal!

Foi no último sábado de Agosto, dia 28, quando nos reunimos no McDonald's do Shopping Paulista.

Ok! Sabemos que o McDonald's não tem uma alimentação muito saudável para endometrióticas, mas aproveitamos o "Mc Dia Feliz" para também fazermos nossa "boa ação".

Porém, o mais importante foi estarmos juntas, mesmo que por pouco tempo, pois são momentos preciosos!

Este evento foi divulgado na nossa comunidade do Orkut e esperamos que no próximo várias meninas possam comparecer! Fiquem atentas, pois será divulgado também no blog!