Mostrando postagens com marcador Tratamento da Endometriose. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tratamento da Endometriose. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O QUE É MAIS FÁCIL: ACHAR UMA AGULHA NO PALHEIRO OU ENCONTRAR UM ESPECIALISTA EM ENDOMETRIOSE?


Olá!!!!

Hoje trazemos um texto antigo da nossa coordenadora Luciana Diamante mas que se adapta perfeitamente para os dias de hoje, infelizmente. Porque é tão difícil encontrar um especialista em Endometriose?? As vezes, temos a impressão de que é mais fácil achar uma agulha no palheiro do que um bom médico especialista. Se for pelo plano de saúde ou pelo SUS então... nuhhhh.. tarefa quase impossível!!


Cada dia que passa, recebemos mais e mais emails pedindo indicação de médicos especialistas em Endometriose. Sem contar os inúmeros post nos nossos grupos no Facebook com o mesmo assunto.  

Um dia desses,  recebemos um comentário de uma portadora dizendo: - "Como é difícil encontrar um especialista em endometriose!" De fato! Esta é uma das queixas mais frequentes entre as portadoras. Fiquei pensando sobre esta dificuldade e cheguei à conclusão de que alguma coisa está errada.

Raciocinem conosco: quem trata de endometriose é o ginecologista, correto? Se uma mulher sente cólicas incapacitantes, especialmente à época da menstruação, ou se não consegue engravidar; ela não vai correr atrás do clínico geral, mas sim do ginecologista, é claro! E supondo que esta mulher tenha um plano de saúde, não terá a menor dificuldade em encontrar e marcar uma visita com este médico. Basta abrir o livrinho do convênio na relação de "médicos ginecologistas" que terá à disposição, no mínimo, uns 50 ginecologistas ou mais. É óbvio que na rede pública não é tão simples encontrar e marcar uma consulta com um ginecologista, porém existem médicos disponíveis para o atendimento às mulheres, tanto em hospitais, como nas unidades básicas de saúde.

Pois bem. Considerando que a Ginecologia é uma especialidade médica que trata de doenças do sistema reprodutor feminino, ou seja, útero, vagina e ovários; espera-se que uma patologia como a endometriose possa ser diagnosticada e tratada por estes médicos com precisão, correto? Errado!

O que temos visto acontecer, de acordo com os vários relatos das portadoras, são dois problemas gravíssimos relacionados ao atendimento de alguns médicos ginecologistas:



1º) Total Desconhecimento dos Sintomas Clássicos da Endometriose

Infelizmente, por não ser médica, não pude ter o privilégio de participar de uma aula sobre ginecologia, porém confesso que gostaria muito de saber o que é ensinado nas aulas sobre "Cólicas Menstruais". A impressão que eu tenho, a partir da minha própria experiência e dos relatos das portadoras, é que nestas aulas os aspirantes a médicos ginecologistas aprendem que, de forma geral, "sentir cólica é normal". Assim, se uma mulher com seus vinte e poucos anos disser ao médico que sente cólicas que a impedem de ir trabalhar, ele prontamente responderá: "É assim mesmo. Sentir cólica é normal. Tome um analgésico, faça uma compressa com água quente e pegue aqui o seu atestado". Certamente, ela confiará no médico e continuará sofrendo com as cólicas, achando que na verdade, está ficando louca e que as dores que ela sente são fruto da sua imaginação. Isto não existe! 

Todas nós sabemos bem qual é o resultado deste tipo de avaliação do ginecologista: anos e anos sofrendo de cólicas "normais", para depois descobrir que na verdade a culpada era a endometriose, e que tendo demorado para ser diagnosticada, gerou, também, a infertilidade. Tarde demais!

Claro, não vamos generalizar. Nem toda cólica é endometriose. É verdade. Mas, como saber quando é e quando não é endometriose? O médico não pode brincar de "minha mãe mandou eu escolher esta daqui"para dizer qual paciente tem endometriose e qual não tem. Ele precisa pedir exames e, principalmente, precisa saber realizar um bom exame clínico, com uma boa anamnese! Já falamos sobre a primeira consulta com especialista aqui no blog, vamos deixar o texto aqui caso não tenham lido! Sabe-se que muitas portadoras de endometriose podem ser diagnosticadas durante a própria consulta com o médico, através do exame de toque e de todas as informações possíveis sobre a dor que sente. 

Ainda assim, se pudesse existir um protocolo que obrigasse o médico ginecologista a solicitar determinados exames todas as vezes que suas pacientes se queixassem de cólicas menstruais, com certeza, várias mulheres seriam poupadas do pesado sofrimento que a Endometriose causa. Seria quase uma prevenção! E não estou falando de mandar todas as pacientes para a videolaparoscopia não. Não é isto. Hoje, temos disponíveis exames de imagem que são excelentes para o diagnóstico da endometriose, como a Ultrassonografia com preparo Intestinal, Ressonância Magnética com protocolo para Endometriose e é claro, pode-se dosar também o CA125 para compor o raciocínio, pois é um exame simples e fácil de fazer, apesar de pouco preciso.
Já abordamos isso aqui no blog em vários textos, porém destacamos dois! Para quem não leu, vale a pena dá uma olhada no texto Diagnóstico da Endometriose Parte I e Diagnóstico da Endometriose Parte II.

O que não pode mais acontecer é o descaso frente à queixa de cólica menstrual, atrasando o diagnóstico da endometriose em 8 ou 9 anos, prejudicando a qualidade de vida da paciente e, muitas vezes, o seu sonho de engravidar. Não é justo!




2º) Dificuldade em Encontrar o "Tal" Especialista

Depois de muita luta para conseguir uma hipótese diagnóstica, começa a verdadeira peregrinação. Sim, pois o que reivindicamos do médico, no parágrafo acima, é que simplesmente saiba diagnosticar a endometriose. 

Daí a exigir que ele saiba tratar a doença, creio que seja pretensão demais. Tem ginecologista que foge da portadora de endometriose, como um rato foge de um gato! Chega a ser engraçado! É como se o nosso diagnóstico já viesse com um complemento:"Endometriose = paciente problema,  fuja dela".

Bom, sabemos que existem mil e uma patologias ginecológicas problemáticas em termos de tratamento, mas a Endometriose, sinceramente, não é para qualquer um. Muitas vezes, a doença requer tratamento cirúrgico reparador, ou seja, é preciso ser muito bem treinado para fazer aqueles três ou quatro furinhos na barriga da mulher, enchê-la de gás, e começar a cortar os nódulos, sem lesionar nenhum órgão. É um trabalho de "mestre", aliás, é um trabalho de uma "equipe de mestres".


É claro que todas nós queremos o melhor atendimento, nós merecemos isto. Mas, aí é que está o problema. Aliás, o problema mesmo só está começando. Afinal, naquele livrinho do plano de saúde não vem discriminado qual médico é capaz de tratar a endometriose e qual não é. Sabe o que acontece? Vou confessar um segredo! Muitas portadoras pegam nome por nome do livrinho, digitam no "Google" e tentam descobrir se há algum vínculo entre o nome do médico e a endometriose. Se houver, ela marca um "x" ao lado deste médico, senão ela o risca da lista. Parece engraçado? Mas, não é não! Isto é muito triste. Pior é quando nenhum dos 300 médicos tem alguma relação com endometriose! Daí, a portadora começa a se desesperar. E passa a procurar pelos "médicos estrelas", aqueles que brilham distantes de nós, lembram? 

Pois bem, para desfrutar do brilho deles é preciso desembolsar muito, muito dinheiro. E aí sim, a história fica triste!

É uma pena que tenha que ser assim. Na nossa humilde opinião de portadora de endometriose, todos os médicos formados em ginecologia deveriam saber diagnosticar e tratar a doença, isto inclui também ter  mais "mestres" em Videolaparoscopia. Afinal, é um absurdo termos 300 ginecologistas num livrinho do plano de saúde e só sete ou oito serem capazes de tratar uma doença tão ginecológica!



Para finalizar: sabe o que respondemos à afirmação feita pela portadora que comentei no início desta postagem?


"Amiga, é mais fácil encontrarmos uma agulha no palheiro que um especialista em endometriose!". Portanto, se você encontrar o seu, agarre-o e não o solte mais. Este médico é peça rara e está extinto no mercado!

Até a próxima!!!!




EQUIPE GAPENDI
Luciana Diamante
Marília Gabriela Rodrigues

quarta-feira, 4 de março de 2015

RESPONDENDO: PERGUNTE AO DOUTOR - COM O ESPECIALISTA DR. EDVALDO CAVALCANTE


Olá!!!

O nosso quadro "RespondENDO Pergunte ao Doutor" do mês de março, traz o Dr. Edvaldo Cavalcante, médico ginecologista especialista em Endometriose e Videolaparoscopia, colaborador e parceiro do nosso grupo.

Separamos algumas das perguntas mais feitas nos nossos grupos e também enviadas para o nosso email: gapendi@hotmail.com

Dessa vez vamos falar sobre a adenomiose, doença bastante confundida com a endometriose; sobre as pílulas anticoncepcionais que contem estrogênio na sua composição e sobre o uso do DIU "Mirena" junto com o anticoncepcional continuo.

Também iremos esclarecer dúvidas sobre o diagnóstico da endometriose de parede abdominal e o porquê algumas mulheres quando menstruam, podem apresentar alguns pedaços grandes como se fossem carne junto ao sangue. Será que isso tem relação com a endometriose?

Lembrando que as respostas dadas aqui não substituem, em hipótese alguma, a consulta com o seu médico! O acompanhamento com um especialista em endometriose é primordial para o sucesso do seu tratamento!

Vamos lá?!!

--------------------------------------------------------------

1) Se o estrogênio faz mal para a endometriose, porque alguns médicos indicam anticoncepcionais de uso contínuo, que também têm estrogênio na fórmula, para não menstruarmos? Será que não faz mal para a endometriose?


Dr. Edvaldo Cavalcante: Sempre damos preferência, para quem tem endometriose, ao anticoncepcional que possui apenas progesterona em sua formulação, mas há pacientes que não se adaptam ao uso isolado da progesterona. Nos casos onde os anticoncepcionais também contem estrógeno, a progesterona tem ação inibitória sobre o mesmo, podendo sim ser utilizado em mulheres com endometriose.

2) Como é feito o diagnóstico da endometriose na parede abdominal? A cirurgia e o tratamento são iguais ao da endometriose pélvica?


Dr. Edvaldo Cavalcante: A endometriose de parede abdominal é mais fácil de ser diagnosticada. O ultrassom simples ou a ressonância magnética, facilmente nos auxilia nesse diagnóstico. O tratamento consiste na retirada dessas lesões, como ocorre na endometriose pélvica.

3) Às vezes saem pedaços grandes, parecendo "carne", durante minha menstruação. O que é isto? É por causa da endometriose?


Dr. Edvaldo Cavalcante: Provavelmente, esse material pode ser coágulo de sangue que adquire esse aspecto. Quando isso ocorre em mulheres que estão no início da gestação, muitas acreditam que estão frente a um processo de abortamento, tamanha à semelhança.  Outro diagnóstico que devemos pensar é a Dismenorreia Membranosa (DM).  A DM é caracterizada pela dor menstrual e eliminação vaginal de um tecido elástico, membranoso com forma da cavidade uterina, que consiste no destacamento e eliminação abrupta do endométrio.  Importante salientar, que essas ocorrências não tem correlação com a endometriose.

4) O que é a Adenomiose e como é diagnosticada a adenomiose? Ela surge com mais frequencia em quem tem endometriose? Ela impede a gravidez?



Dr. Edvaldo Cavalcante: Adenomiose é uma patologia uterina caracterizada pela invasão do miométrio (camada muscular do útero) pelo endométrio (camada de revestimento interno do útero). Sua causa é desconhecida, mas pode estar associada a algum trauma uterino (Cirurgia uterina, curetagem uterina, Cesariana, etc). Sua prevalência é incerta, variando de 15 a 20%. Geralmente em mulheres próximo aos 40 anos de idade com prole constituída.   Clinicamente, muitas pacientes são assintomáticas, mas pode se manifestar com sangramento menstrual abundante, cólicas ou ainda dor pélvica e/ou dispareunia (dor na relação). O diagnóstico pode ser realizado pela ultrassonografia transvaginal e/ou ressonância magnética. Podemos encontrar associação de adenomiose com outras patologias, como por exemplo, os leiomiomas (50-60% das vezes) e a endometriose (42,8% em endometriose grave Estadio IV e 29,4 % nos estádios I, II, III).
Em relação à adenomiose e gestação, segundo  alguns estudos,  a  adenomiose pode sim alterar a  taxa de  gestação,   seja pela falha de implantação (fixação do  embrião na cavidade endometrial), alteração da atividade peristáltica uterina ou por aumento na taxa de  abortamento no  primeiro trimestre de  gestação.

5) Posso usar o “Mirena” e um anticoncepcional ao mesmo tempo?


Dr. Edvaldo Cavalcante: O Mirena é endoceptivo, ou seja, um sistema intra-uterino com liberação gradual de levonorgestrel (progesterona). Seu efeito contraceptivo é causado principalmente por ação local do levonorgestrel. Com frequência podemos observar ciclos ovulatórios nas usuárias de Mirena. Nos casos onde há necessidade do bloqueio da ovulação, como por exemplo, as pacientes com endometriose, podemos sim associar anticoncepcional de uso contínuo sem grandes problemas.

------------------------------------------------------------------

Desde já agradecemos imensamente ao Dr. Edvaldo Cavalcante pela disposição a nos ajudar participando do nosso quadro e esclarecendo essas dúvidas!!

Lembrando a Clinica Paulista de Cirurgia Ginecológica oferece desconto às Portadoras de Endometriose que fazem parte do grupo GAPENDI. Interessadas: ao ligar, basta informar que faz parte do grupo para obter o desconto!

E fiquem atentas! Em breve mais dúvidas serão publicadas no blog! Quem quiser que sua pergunta seja respondida, envie um e-mail com sua dúvida para: gapendi@hotmail.com


Até a próxima!

EQUIPE GAPENDI
Marília Gabriela
Luciana Diamante


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CIENTISTAS TESTAM DUAS NOVAS MEDICAÇÕES QUE PODEM SER EFICAZES NO TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE


Olá!!!

Depois da ótima noticia de que o dienogeste, principio ativo do Allurene, foi liberado pela Anvisa para fazer parte do grupo de medicações genéricas; trazemos hoje uma matéria que foi publicada pelo Correio Braziliense e pelo site espanhol Medical net.

A novidade é que um grupo de cientistas está pesquisando e chegando perto de mais duas medicações que podem amenizar os sintomas da endometriose, ajudando no tratamento, sem a necessidade da intervenção cirúrgica.

Essas substancias são as: chloroindazole (CLI) e oxabicycloheptene sulfonato (OBHS), que pelo que pesquisamos uma delas, inclusive, já se mostrou útil em modelos de ratinhos com esclerose múltipla.

O objetivos dos cientistas é que essas substancias sejam úteis no tratamento da Endometriose, esclerose múltipla, fibrose hepática, cardiovascular e problemas metabólicos relacionados a Obesidade. 

Uma observação é que, no caso da endometriose, essas medicações precisam ser usadas em conjunto para o resultado efetivo. “O OBHS ou o CLI administrados sozinhos não tiveram efeitos estimulantes sobre os receptores de estrogênio das ratas como esperávamos, mas, ao serem usados juntos, os compostos foram capazes de suprimir significativamente o crescimento do tecido uterino e a proliferação de células inflamatórias”, detalha o artigo.

Essas duas novas substancias, interagem com dois tipos de receptores do estrogênio, reduzindo o tamanho do tecido endometrial ou impedido o crescimento fora do útero; além de reduzir também a inflamação. Porém, essas pesquisas ainda estão sendo feitas em ratinhos com endometriose e em células humanas endometriais.

Se tudo ocorrer como os cientistas esperam e as pesquisas continuem sendo favoráveis, provavelmente farão novos testes e então a medicação poderá ser ser lançada. Pode demorar um pouco ainda, porém, só o fato de sabermos que estão estudando, pesquisando e tentando melhorar os tratamentos já existentes, nos conforta e anima!!


Segue o link da matéria:  

Cientistas testam novos remédios promissores contra endometriose

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

QUAIS OS PRINCIPAIS EXAMES QUE DEVEM SER REALIZADOS PELA PORTADORA DE ENDOMETRIOSE?

Olá!!!

O texto de hoje será muito útil para as portadoras de Endometriose, principalmente, para aquelas que estão um pouco perdidas em relação aos exames usados no diagnóstico da Endometriose. Embora este seja um assunto bastante discutido tanto aqui no blog quanto nos nossos grupos no facebook, por diversas vezes, encontramos nos grupos perguntas relacionadas a determinado exame, como ele é feito, qual o objetivo dele e etc.
Nesse texto, tentamos resumir, ao máximo, os exames mais solicitados pelos médicos especialistas, explicando de uma forma simples como ele é realizado e para que servem. Aproveitamos também para colocar nessa lista, exames que alguns médicos solicitam, mas que não são tão específicos/úteis para o diagnóstico da doença. Dessa forma, vocês poderão conhecer os exames e saber diferenciar qual o melhor para cada caso. Lembrando sempre que é o médico quem deve solicitar os exames de acordo com a necessidade e utilidade em cada caso. Porém, não custa nada ficarmos informadas, né?!

  

1-   Histeroscopia - é um procedimento que permite a visualização do útero por dentro, a chamada cavidade endometrial, ou seja, a visualização da cavidade uterina através de endoscopia. quando há suspeita de doenças dentro do útero. A histeroscopia pode ser realizada com alguns objetivos. Um deles é completar a investigação de um problema, como um sangramento anormal ou adenomiose, ou para retirada de um mioma, polipo ou outro tipo de lesão que esteja dificultando um casal de engravidar ou levando a outros problemas na mulher. Também é solicitada para colocação e retirada realizar a retirada de DIUs (inclusive o mirena) e acompanhar lesões como adenomiose e do colo uterino causadas pelo HPV (Papiloma Vírus Humano).


Há casos também de abortamento de repetição, infertilidade sem causa aparente e outras situações onde o médico julgar necessário. Existem dois tipos de Histeroscopia e quem determina qual será necessária, é o médico, porém ambas tem praticamente a mesma função:

  • Histeroscópia Diagnóstica- observa-se a cavidade uterina, o canal cervical e a vagina. A grande vantagem é a possibilidade de ser realizada em ambulatório, sem o uso de anestesia/sedação e sem internação. Em posição ginecológica, é introduzido o histeroscópio, com uma camara acoplada, pela vagina, que chega através do canal do colo uterino até a cavidade endometrial, levando luz ao seu interior, bem como soro fisiológico para distendê-la.  Como a mulher estará acordada, poderá acompanhar o exame através do monitor. É um exame relativamente rápido e em casos de pequenos de pólipos ou outras pequenas lesões ( que geralmente são encaminhadas para biopsa) podem ser retirados no exame mesmo. Algumas mulheres, referem  sentir apenas poucas cólicas durante a realização do exame, já outras referem-se a bastante dor, por isso alguns médicos optam por realizar este exame no centro cirúrgico. A intensidade das cólicas e dor pélvica varia de acordo com o limiar de dor de cada mulher. 

  • Histeroscopia Cirurgica: Muito semelhante a Histeroscopia Diagnóstica e com, praticamente, os mesmos objetivos. Muito indicada para mulheres com grandes e/ou muitos pólipos, miomas, outros tipos de lesões onde é necessário a retirada para enviar o material para analise de biopsa e  ablação endometrial.. A diferença é que a histeroscopia cirúrgica é reaizada dentro de um centro cirúrgico com a mulher devidamente sedada/anestesiada.  A avaliação do risco cirúrgico é feita como em qualquer procedimento, considerando-se o porte da operação a ser realizada e o tipo de anestesia. O pós-operatório normalmente é simples e quase que imediato. Depois de a mulher acordar da anestesia, ela fica em observação por cerca de 60 minutos, podendo variar um pouco esse tempo de acordo com o que foi realizado no procedimento ( poucos são os casos em que a mulher fica internada por mais de 24hs). Assim que estiver acordada e bem terá alta. Porém, depois da alta a mulher poderá sentir um pouco de dor e desconforto; bem como um pouco de perda de sangue. Caso o sangramento fique extenso e muito dolorido, entrar em contato com o médico. É importante ressaltar que a Vídeo-Histeroscopia é diferente da Video-Laparoscopia.Temos visto nos nossos grupos no facebook, muitas portadoras se submetendo a Video-Histeroscopia achando que está realizando a Videolaparoscopia. São exames (cirurgias) distintos, com objetivos diferentes e recuperação também! A video-Histeroscopia visualiza apenas a cavidade interna do útero, enquanto a videolaparoscopia consegue visualizar toda a pelve ( incluindo trompas, ovários, bexiga, intestino, etc).


2-     Histerossalpingografia: é um exame de radiografia usando-se contraste, para verificar as condições anatômicas dos órgãos reprodutores femininos: útero e tubas. É normalmente realizado para verificar se há alguma anomalia no útero ou nas trompas da mulher que apresentam dificuldade para engravidar, mas também pode ser feito para investigação de outros problemas ginecológicos ligados à anatomia do útero e das trompas. Através deste exame é possível ver se as trompas estão obstruídas ou não, o que é fundamental para uma gravidez natural, ou seja, sem o auxílio da reprodução assistida.  

O exame é feito através de um aparelho de raio X associado ao uso de contrate, que normalmente, é composto de iodo, com paciente em posição ginecológica.  O procedimento dura cerca de 30 minutos e algumas mulheres referem-se a dor semelhante a cólicas menstruais, podendo ser de leve a forte. Porém, algumas clinicas já realizam este exame com um nova técnica que minimiza os possíveis desconfortos e dores durante o exame. 
   Os melhores dias para a realização deste exame são antes da ovulação e logo após o término da menstruação, ou seja, entre os dias 6 a 12 do ciclo menstrual; e recomenda-se o jejum sexual por alguns dias após a realização do mesmo. A depender do local de realização do exame, recomendam o a limpeza do intestino, com laxantes, no dia anterior do exame, bem como o uso de anti-inflamatórios ou antiespasmódicos para evitar espasmos ou desconfortos. Antes de o exame ser realizado, pode ser necessária a limpeza do intestino, usando laxantes no dia anterior, para que os gases e fezes na região pélvica não atrapalhem na visualização do resultado.

3-   Ca 125: é um marcador tumoral utilizado principalmente para detectar o câncer de ovário, entretanto pode se apresentar alterado na presença de outras patologias como o câncer de endométrio e na endometriose. Geralmente é realizado durante os três primeiros dias da menstruação, mas não podemos considera-lo um exame definitivo no diagnóstico da endometriose. Em muitos casos, este marcador poderá se apresentar normal, mesmo quando há a presença desta doença. Por este motivo, a dosagem do CA125 deve ser utilizada apenas para ajudar a compor o raciocínio clínico, sendo necessário que a paciente realize os demais exames antes que se feche o diagnóstico.


4-   Ressonância magnética com protocolo para Endometriose: A Ressonância Magnética é um exame que obtém imagens dos órgãos, em alta definição, através da utilização do campo magnético. Este exame têm se mostrado bastante útil nas visualizações de determinadas lesões de endometriose, especialmente as ovarianas. Também é utilizado para visualizar lesões vaginais, avaliar o útero, e também lesões que possam estar presentes nos ureteres.  

A mulher deve permanecer deitada, imóvel durante todo o tempo do exame, que dura cerca de 20 a 25 minutos, podendo variar de acordo com cada caso. O exame pode ser realizado em qualquer dia do ciclo e não causa dores, mas pode ser desconfortável, uma vez que a paciente deve permanecer imóvel durante todo o procedimento. A Ressonância Magnética para pesquisa de endometriose, deve-se seguir um “protocolo” de procedimentos que consiste em realizar um prévio preparo intestinal (o mesmo feito na ultrassonografia) e o uso do gel vaginal, que é colocado minutos antes do exame. Pode-se também utilizar o contraste, entretanto, de acordo com pesquisas, ele não é crucial para visualizar as lesões de endometriose, sendo utilizado, apenas, para diagnosticar outras possíveis patologias. Por ser um dos principais exames usados no diagnóstico da Endometriose Profunda, já falamos especificamente deste exame num dos nossos textos anterior. Vale a pena dá uma lida separadamente no texto: Diagnóstico da Endometriose parte II

5-   Ultrassonografia com preparo intestinalJunto com a Ressonância com protocolo para endometriose, é um dos exames mais importantes no diagnóstico da Endometriose Profunda. A ultrassonografia transvaginal é realizada com um aparelho, chamado transdutor, inserido através da vagina, e que utiliza ondas sonoras para visualizar a imagem dos órgãos e estruturas pélvicas. O preparo intestinal na realização deste exame, também se tornou importante, inclusive para a visualização das lesões de endometriose em outras regiões, pois muitas vezes os gases intestinais causam “zonas de penumbra” que atrapalham, inclusive, a visualização dos ovários e outras regiões que podem estar comprometidas.  

   Importante ressaltar, que este exame é diferente da ultrassonografia transvaginal que é comumente solicitada pelos ginecologistas e não adianta realizar a transvaginal comum e realizar o preparo por conta própria pois o que garante a qualidade do exame é a qualificação e a experiencia do médico que está realizando. Ou seja, você pode fazer o exame, realizar todo o preparo como recomendado porém se for feito por um médico que não tenha o domínio da técnica e não tenha a especialização e experiencia, com certeza, o exame dará um resultado errado. Dura cerca de 20 a 30 minutos ( podendo variar de acordo com cada caso) e, geralmente, costuma ser indolor porém um pouco incomodo. Pode ser realizado em qualquer dia do ciclo. Também foi tema do nosso texto Diagnóstico da Endometriose parte II onde foi explicado detalhadamente a importancia e como é realizado este exame. Vale a pena conferir o texto e a entrevista com a Dra. Luciana Chamié, médica especialista em diagnóstico da endometriose por imagem. 

6-   Colonoscopia:  é um exame que permite visualizar e analisar o revestimento interno do intestino grosso e parte do delgado, correspondente ao reto e ao cólon, através de um tubo flexível introduzido pelo ânus, contendo em sua extremidade uma minicâmera  que transmite imagens coloridas, podendo ser fotografadas ou gravadas em vídeo.   É realizado com a mulher sedada, deitada de lado para a melhor introdução do aparelho pela via anal. É necessário um preparo intestinal, que deverá ser realizado no dia anterior, onde inclui além do uso de uma medicação chamada Manitol ( cujo o objetivo é limpar todo o intestino) e uma dieta alimentar liquida. Geralmente o exame leva em torno de 20 a 30 minutos, sendo que apos a realização a mulher deverá ficar um pouco no local de repouso e só será liberada apos alimentação e plena recuperação.  É indicada para realizar biopsias da mucosa, corrigir pequenos sangramentos e retirar eventuais pólipos intestinais. 


 Alguns médicos especialistas em endometriose solicitam a colonoscopia para complementar o diagnóstico da endometriose intestinal. Porém é necessário lembrar que ela por si só não exclui a possibilidade da mulher ter este diagnóstico, já que a colonoscopia só visualiza a parte interna do intestino e a Endometriose começa a acometer a parte intestinal da camada externa para a interna. Ou seja, pode ser que a mulher tenha uma lesão de endometriose que esteja acometendo as primeiras camadas do intestino e que não tenha alcançado ainda a parte mais interna do intestino, que é a visualizada pela colonoscopia. Por isso o melhor exame para o diagnóstico da endometriose intestinal, é sempre a USG com preparo intestinal e/ou ressonância magnética com protocolo para Endometriose. A depender do resultado desses dois exames, o médico poderá solicitar a colonoscopia para verificar se a lesão já alcançou a luz intestinal.


7-   Retossigmoidoscopia- É um exame utilizado para avaliar a mucosa do reto e do sigmoide, bem como o diagnóstico das doenças que acometem a porção final do intestino grosso, como: câncer retal, pólipos intestinais, divertículos em sigmoide, colites, diagnosticar amebíase através de biópsia de reto. Alguns médicos quando suspeitam que a mulher está endometriose intestinal e a lesão está acometendo parte final do intestino, solicitam este exame.  É semelhante a colonoscopia, onde é introduzido um  retossigmoidoscópio rígido  ou flexível na cavidade anal que permite a visualização do reto e colón sigmoide. 


  A depender da clinica onde você realiza este exame, você poderá ser levemente sedada e /ou apenas utilizarem um anestésico local que deixa o exame menos desconfortante. É um exame relativamente rápido e quase sempre não é preciso o jejum, apenas a limpeza do colo retal com phospoenema ( o preparo pode ter modificação a depender da clinica onde seja realizado. Por isso siga sempre as recomendações do local do exame). Porém, ocorre o semelhante a colonoscopia onde só consegue observar a parte interna do intestino. Por isso, a depender da lesão o exame pode dá normal mesmo a mulher tendo endometriose no local. É muito usado para avaliação do pós cirúrgico quando ocorre a anastomose na porção final do intestino afim de verificar se está tudo normal com a cicatrização.

8- Enema Opaco: Conhecido também como clister opaco trata-se de um exame que utiliza Raios-X para diagnosticar patologias no interior do intestino grosso. O exame dura cerca de 40 minutos, é realizado sem anestesia e pode causar dores e desconforto durante a realização.  É necessário o jejum absoluto de 8 a 10 hs antes do exame ( vai depende do local onde você vai realizar) e a limpeza do intestino com laxante e por via retal, já que o intestino deverá estar totalmente limpo para uma boa visualização no exame. É um exame pouco solicitado pelos médicos especialistas por existirem outros exames como a colonoscopia que visualiza com segurança e mais conforto da mulher.

9-   Exame Anti- Mulleriano- É um exame de sangue muito solicitado pelos médicos especialistas em reprodução humana para aquelas mulheres que estão tentando engravidar pois ele é o melhor marcador da reserva ovariana. Para ficar mais claro vamos explicar, todo mulher já nasce com uma quantidade pre- definida de óvulos e vai perdendo ao longo do tempo. Para vocês terem ideia, ao nascermos já perdemos uma boa quantidade de óvulos e ao longo dos anos vamos perdendo mais e mais. A mulher com endometriose acaba sofrendo com isso, assim como todas as outras mulheres, porém tem um diferencial: muitas portadoras precisam se submeter a cirurgias/videolaparoscopias para retirada de lesões da endometriose e a cada cirurgia, milhares de óvulos vão embora. É importante ressaltar, que mesmo que não se mexa diretamente nos ovários, quando a mulher realiza uma cirurgia pélvica, acaba perdendo óvulos. Esse exame é de extrema importância pois consegue dosar a reserva ovariana da mulher. Como já foi dito, muitos médicos especialistas em reprodução humana solicitam para avaliar a melhor forma de tratamento e também os médicos especialistas em endometriose têm solicitado antes de cirurgias com extensão grande, principalmente se a mulher tiver uma lesão grande nos ovários. Dessa forma, ele poderá ver como tá a reserva da mulher e verificar se tem a necessidade de pedir para congelar os óvulos antes da cirurgia ou não. Recomenda-se dosar esse hormônio no terceiro dia do ciclo e, infelizmente, a grande parte dos planos de saúde ainda não cobre. Por isso muitos médicos não solicitam já que o custo geralmente é alto.

10- Cistocopia: Também conhecido como uretrocistoscopia, é um exame endoscópio das vias urinárias baixa, possibilita a visualização ótica dos segmentos uretrais e da bexiga. O exame é realizado pelo urologista que insere um aparelho chamado de Cistoscópio através da abertura da uretra. Esse mesmo cistoscópio, injeta soro fisiológico para expandir a bexiga, facilitando assim a visualização da mesma.   O exame dura cerca de 15 a 20 minutos e pode ser realizado no consultório médico, recebendo um anestésico local, ou no centro cirúrgico, nesse último caso, onde a mulher será levemente sedada. Alguns médicos especialistas em endometriose, solicitam este exame quando a mulher tem suspeita de Endometriose urinária.


11- Estudo Urodinâmico: É um estudo para avaliar as condições funcionais do trato urinário baixo, que pode ser comprometido na mulher que possui endometriose urinária/vesical. Através deste exame é estudado as várias fases do ato de produzir, transportar, reter e excretar urina, bem como o volume produzido, excretado ou retido, tempo de produção, capacidade volumétrica das vias urinárias, pressão de fluxo no interior das vias urinárias. O exame deverá ser realizado, preferencialmente, com a bexiga cheia. Após a realização do exame, a mulher pode ter aumento da frequência urinária e disúria (sensação de dor, ardor, ou desconforto ao urinar), poucos casos pode ocorrer também sangramento. O exame consiste em 3 partes: Urofluxometria, Cistometria e Estudo Miccional. Geralmente as mulheres que realizam este exame relatam um certo constrangimento, já que é necessário urinar num vaso que é ligado aos computadores pelo qual o médico acompanha o exame e os resultados, em seguida é colocado duas sondas ( uma pelo canal da uretra e outra pelo anus) que vão encher a sua bexiga com soro para que você informe o grau de enchimento vesical (importante na questão das perdas urinárias) e, posteriormente, é solicitado que você urine ( sua bexiga estará cheia de soro frio) novamente no vaso porém desta vez com a sonda. O exame tem, aproximadamente, uma hora de duração.

12- Tomografia Computadorizada: Envolve o uso de um equipamento rotativo de Raios-X, combinado com um computador digital, para obtenção de imagens do corpo. A tomografia utiliza um tubo de raio X que gira em torno do corpo, fazendo radiografias transversais. Não é um exame muito indicado para o diagnóstico da Endometriose.  


Esperamos que esse texto ajude bastante vocês em relação as dúvidas!! Lembrando que esses exames são essenciais antes da videolaparoscopia pois com os resultados destes, o médico poderá traçar e preparar a melhor equipe para entrar no centro cirúrgico de acordo com cada caso.


Até a próxima!!!


Equipe GAPENDI
Marília Gabriela Rodrigues
Luciana Diamante